Desde a antiguidade em três lugares de OKINAWA: Shuri, Naha e Tomari, existiram a maior parte dos mais famosos karatecas e aí floresceram os estudos da Arte, ainda que em grande segredo, pelo que não existem Dojos abertos ao público.
Geralmente a classe social dos Samurai também não
precisa de estudar Karaté; apenas aqueles que realmente o
queriam procuravam um bom mestre com o qual aprendiam. Por isso, na
antiguidade não existia o conceito de RYU (escola) nem
mestres que dessem nome a uma delas. Por esse motivo, os katas
tinham o nome do grande mestre que oa criou ou transformou, por
exemplo: Matsumura no Passai ou Itosu no Passai.
Dois desses grandes mestres foram ITOSU da cidade de shuri e
HUGAONNO da cidade de Naha. O karaté recebia o nome do lugar
e daí nasceu a classificação de Shuri-Te
(mão de shuri) ou Naha-Te (mão de Naha). Em ambos os
estilos os Katas eram diferentes e os seus conteúdos
mostravam características bem diferenciadas.
O fundador do SHITO-RYU, Kenwa Mabuni, nos seus começos
estudou com o mestre Itosu de Shuri e com o Mestre Higaonna de
Naha, na companhia do Mestre Miyagi (fundador da Escola Goju-Ryu),
adquirindo grandes conhecimentos de ambos.
Kenwa estudou Artes marciais em Okinawa, noutras escolas
importantes. Estudou ainda BO e SAI com o Mestre Aragaki. Kenwa
chamou a escola SHITO-RYU, juntando o primeiro ideograma do nome de
cada mestre ITO (que se pode ler SHI) e HIGA (que se pode ler
TO).
Tecnicamente o SHITO-RYU caracteriza-se por equilibrio perfeito
entre a força e a maleabilidade, por uma grande mobilidade e
trabalho de esquiva aliados a grande velocidade de
execução e precisão de impactos.
Que
é o « Karaté »
?
Vamos procurar responder a esta pergunta com a maior justeza e
objectividade possível.
Para o grande público, o Karaté está
geralmente ligado a uma imagem de violência. A do super-
homem, de mãos duras como o aço, com as quais parte
tijolos e pranchetas de madeira.
Não há, de facto, nada de extraordinário nesta
espécie de proeza, que qualquer homem normalmente
constituído é capaz de fazer, com a
condição de saber fechar correctamente o punho e de
libertar as inibições psicológicas, a
principal das quais é o medo.
Na realidade, estes exercícios constituem somente uma parte
ínfima do Karaté.
Para todos que o praticam, esta arte marcial é mais uma arte
de viver. Procura, ao mesmo tempo, o equilíbrio do corpo e o
do espírito. Para atingir este objectivo, para descobrir
todas as facetas do Karaté simultaneamente desporto,
disciplina e arte marcial, é preciso trabalhar durante muito
tempo, mesmo muito tempo.
O Karaté é antes de tudo uma arte marcial. O adjectivo
«marcial» vem de Marte, deus da guerra na mitologia
romana. Os homens que o criaram não dispunham senão
do corpo para combater inimigos armados. É o que lembra,
aliás o significado literal do termo Karaté, pois em
japonês Kara quer dizer «vazia» e té quer
dizer «mão».
Numa época em que a paz do mundo depende da
utilização de um pequeno botão vermelho
não tem, evidentemente, já qualquer utilidade ensinar
o Karaté aos militares para eles combaterem o invasor com as
mãos vazias. Também não se recomenda aos
adeptos do Karaté que ponham em prática os seus
conhecimentos para «punirem» o vizinho que tem a
televisão a trabalhar a toda a força.
Pelo contrário, os conhecimentos em questão podem
ser-lhes muito úteis para resistir a uma agressão
à traição, à noite, ao fundo de uma rua
escura.
A técnica de guerra tornou-se, com o tempo, um método
de combate, ou, mais exactamente, de autodefesa, pois uma das
regras de ouro do Karateka (o que pratica o Karaté) é
de nunca ser ele a bater primeiro; por outras palavras, se
ninguém o provocou. De resto, a expressão «arte
marcial» perdeu, ao longo dos séculos, o sentido
literal que tinha originalmente, para passar a traduzir mais o
aspecto de «método de autodefesa» do
Karaté.
Segundo faceta do «Karaté»: a disciplina. Disciplina de
vida, do corpo e igualmente do espírito.
Disciplina do corpo porque, seja qual for a intensidade que
imprimimos aos movimentos dos punhos e dos pés, o
Karaté é uma cultura física muito completa,
que obriga a trabalhar todos os músculos do corpo em
perfeita harmonia. Uma cultura física que tem a vantagem,
que não é de desprezar, de não ser
rebarbativa. Convém tanto às crianças como
às mulheres e a pessoas já de certa idade, para as
quais os esforços demasiado violentos nem sempre são
recomendáveis.
Disciplina do espírito também, mesmo se não
procuramos especialmente o estado superior que é o objectivo
dos filósofos ou dos místicos mas mais simplesmente
uma certa pureza, serenidade, domínio e a confiança
que proporcionam os exercícios do corpo. Seja qual for o
nível de «elevação» procurado,
é necessário fazermos o esforço de nos
despojarmos de todas as preocupações, de toda a nossa
agressividade, criar em si o vazio. O «vazio» que se
encontra no «Kara» do Karaté, pois o significado
do termo não é simplesmente «mão
vazia» de qualquer intenção
beliciosa.
Terceiro e ultimo aspecto do «Karaté»:
o
desporto. Os puristas, os «ultras»,
consideram que a competição é uma
«poluição» do espírito do
Karaté na medida em que o vencedor poderá pretender
ser superior ao seu adversário e não dará
portanto provas de humildade. Tudo depende com efeito da forma de
aprender o Karaté e a vida: conhecem-se campeões que
são modelos de modéstia e “ eternos segundos
“ que atiram sempre para cima do árbitro, do
público ou do sorteio a responsabilidade das suas
derrotas.
Se é desejável não fazer da
competição um fim em si mesma, pode considerar-se
contudo, que ela é de certo modo “o minuto “ da
verdade que permite fazer o ponto, perante um adversário
cujo estilo pouco importa medir aquilo que se aprendeu e o que
falta aprender... Mesmo se ganhou. Pois a perfeição
não existe no Karaté ela afasta-se sempre um pouco
mais á medida que dela nos aproximamos.
Os Benefícios do
Karaté
Benefícios que a prática do Karaté trás ao organismo humano
1ª Parte: (Continuação do Bis Nº 3)
Fases cronológicas
da idade
No adolescente, os três elementos considerados
(somático, psíquico e de convivência) têm
uma metamorfose especial e, ainda que persistam, seu grau de
importância varia. Assim na área física uma vez
finalizado ou quase pronto o desenvolvimento da pessoa, pouco ou
nada varia, a não ser para aumentar a sua potência
musculação capacidade de resistência,
etc.
Em compensação os aspectos psicológicos e de
comportamento têm grande importância ante todas as
dúvidas que aparecem na vida do individuo nesta
época. A desorientação profissional, a
frequente ruptura de gerações com um desejo prematuro
de emancipação as dificuldades inerentes á
sociedade actual, unidas ás primeiras experiências com
álcool, sexo, etc.
São elementos perturbadores com que a adolescencia se
depara. Portanto conseguir um máximo equilíbrio
psicológico nesta época, é o melhor que o
Karaté pode conferir aos seus jovens praticantes.
As duas últimas fases consideradas têm linhas de
transição pouco marcadas e assim os benefícios
misturam-se em maior ou menor medida, de acordo com os
indivíduos.
Na plena juventude, o Karaté ajuda ainda mais a potencia a
capacidade física: muscular respiratória
cardíaca etc. Será aperfeiçoado seu controle e
aproveitará ao máximo as suas
possibilidades.
É a época da competição. O
indivíduo mede-se com os seus iguais e se auto-realiza na
prática total: ou consegue a maior auto-estima no
aperfeiçoamento da arte.
Do ponto de vista gráfico a sua entrega ao desporto
condiciona certas limitações positivas contra certos
hábitos nocivos; tabaco, álcool, etc.Psicologicamente
e independente dos benefícios obtidos até este
momento, esta plenitude traduz-se em um equilíbrio de
resposta frente a situações de stress da vida
quotidiana.
Na ultima fase considerada devemos assinalar antes de mais nada a
grande diferença existente entre aquele grupo de
indivíduos que sempre praticam desporto especialmente alguma
Arte Marcial outras pessoas que pela primeira vez chegaram a um
ginásio.
Para estes últimos o grande problema será a falta de
hábito a inconstância e o abandono a curto prazo quase
sem tempo de constatar os benefícios e
qualidades.
Para o outro grupo já veterano a passagem de tempo
condiciona-os e de alguma forma os impede de abandonar a
prática. Através do Karaté vão
conseguir atrasar a acção deteriorante dos anos
conservando o tónus muscular, a agilidade o sentido de
equilíbrio resistência etc.
A camaradagem e o trabalho com individuos de outras idades
mantém-nos integrados numa via desportiva com
benefícios psicológicos ajudando não apenas a
comprar saúde para as suas artérias contra a
obesidade como desintoxicante dos conflitos domésticos,
profissionais, etc.
Por último a experiência acumulada nos anos de
prática permitirá obter algo mais importante que
será a aproximação do conhecimento das suas
próprias capacidades, limitações e
identidade.
Horários:
2ª e 6ª das 18:30 - 21:30 // 4ª das 18:30 - 20:30
Preçário:
Inscrição: € 22,50 - mensalidade: € 32,50
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